A pseudoartrose representa uma das complicações mais desafiadoras do trauma ortopédico e não deve ser interpretada apenas como um atraso no tempo de consolidação. Trata-se da falha do processo biológico de cicatrização óssea, frequentemente associada à instabilidade mecânica e a fatores locais e sistêmicos que comprometem a regeneração do osso.

O conceito moderno reforça que o tempo isolado não define pseudoartrose. A avaliação deve considerar se o ambiente da fratura apresenta condições biológicas adequadas para a consolidação, incluindo vascularização local, viabilidade óssea e ausência de infecção. Paralelamente, a estabilidade mecânica exerce papel central, uma vez que micromovimentos excessivos ou fixações inadequadas podem inviabilizar a formação do calo ósseo.

Diversos fatores de risco estão envolvidos no desenvolvimento da pseudoartrose, como instabilidade mecânica persistente, comprometimento vascular, infecção, além de condições sistêmicas como tabagismo, comorbidades metabólicas e uso de determinadas medicações. Essa característica multifatorial exige raciocínio clínico estruturado e individualizado por parte do ortopedista do trauma.

O diagnóstico adequado depende da integração entre avaliação clínica, análise da evolução funcional do paciente e avaliação radiográfica seriada, associadas à compreensão dos princípios biológicos e mecânicos envolvidos. A simples ausência de consolidação radiográfica não deve ser interpretada de forma isolada.

No manejo atual, a reabordagem cirúrgica da pseudoartrose deve contemplar a correção da estabilidade, o estímulo biológico adequado, seja por meio de enxertia, técnicas biológicas ou otimização do ambiente local, e um planejamento cirúrgico preciso, baseado no padrão da fratura e nas condições do paciente.

A SBTO reforça que o tratamento da pseudoartrose no trauma ortopédico exige método, ciência e tomada de decisão baseada em evidências, destacando a importância da educação continuada e do aprofundamento técnico para melhores resultados clínicos e funcionais.