O Controle de Danos Ortopédicos (Damage Control Orthopaedics – DCO) consolidou-se como uma estratégia fundamental no manejo do paciente politraumatizado grave. Diferentemente da fixação definitiva precoce, o DCO prioriza a condição fisiológica do paciente, reconhecendo que, em determinados cenários, a agressão cirúrgica extensa pode agravar a resposta inflamatória sistêmica e aumentar a mortalidade.

Pacientes com instabilidade hemodinâmica, acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia — a chamada tríade letal do trauma — apresentam alto risco quando submetidos a cirurgias definitivas prolongadas. Nesses casos, a estabilização temporária das fraturas, geralmente por meio de fixadores externos, permite controle do sangramento, redução da dor, facilitação do cuidado intensivo e ganho de tempo para a recuperação fisiológica.

A decisão entre fixação temporária e definitiva deve ser individualizada e baseada em parâmetros clínicos, laboratoriais e na resposta do paciente às medidas de reanimação. O conceito de “o paciente primeiro, o osso depois” reforça o papel do ortopedista do trauma como parte ativa da equipe multidisciplinar no atendimento ao politraumatizado.

O momento da conversão para a fixação definitiva é igualmente crítico e deve respeitar a estabilização metabólica, evitando tanto a cirurgia precoce inadequada quanto atrasos que possam comprometer alinhamento, consolidação e função. A correta aplicação do DCO reduz complicações sistêmicas, infecções, falência orgânica e melhora os desfechos globais.

A SBTO reforça a importância da atualização contínua sobre os princípios do Controle de Danos Ortopédicos, destacando que o tratamento do trauma ortopédico vai além da técnica cirúrgica, exigindo julgamento clínico, integração e tomada de decisão baseada em evidências.