Com o crescimento do uso de modais individuais, crescem também as internações por fraturas de punho, tornozelo e face. A SBTO alerta: o trauma urbano exige protocolos específicos.

Nos últimos meses, os acidentes com patinetes elétricos voltaram a ocupar os noticiários das principais capitais brasileiras. De São Paulo ao Rio de Janeiro, passando por Brasília, Salvador e Curitiba, os prontos-socorros têm registrado aumento expressivo nos atendimentos por traumas leves e moderados relacionados a esse modal de transporte. O que parece um acidente banal pode evoluir para fraturas graves, com necessidade de cirurgia e reabilitação prolongada.

Segundo dados recentes da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), o número de atendimentos médicos ligados a patinetes subiu 28% em 2025, comparado ao mesmo período de 2024. A SBTO reforça que é preciso preparar os centros urbanos para uma nova realidade: o trauma ortopédico de alta frequência e baixa complexidade.

🚨 As lesões mais frequentes

A análise dos serviços credenciados da SBTO indica um padrão muito claro nos atendimentos por acidentes com patinetes:

  • Fratura de punho (rádio distal) queda com mão espalmada
  • Fratura de tornozelo impacto lateral em desaceleração
  • Traumas faciais e cranianos ausência de capacete
  • Luxações de ombro queda frontal com rotação externa

Mesmo sendo traumas geralmente classificados como de baixa complexidade, muitos casos exigem cirurgia com fixação interna e afastamento do trabalho por até 60 dias.

Um desafio do trauma urbano moderno

A popularização de transportes alternativos como patinetes, bikes compartilhadas e motos elétricas desafia os serviços ortopédicos, especialmente nas grandes cidades. Como boa parte dos acidentes ocorre fora do horário comercial, os centros de trauma precisam estar prontos para uma demanda imprevisível, mas constante.

A SBTO recomenda que gestores hospitalares e autoridades de saúde pública reconheçam o trauma ortopédico urbano como uma categoria prioritária de atendimento. Além disso, é fundamental que haja:

  • Campanhas de conscientização sobre o uso correto de EPI
  • Normatização da velocidade máxima desses modais
  • Criação de vias exclusivas e fiscalização eficiente

A SBTO continuará contribuindo com dados clínicos, capacitação profissional e recomendações de conduta para minimizar as consequências desses acidentes evitáveis.

Fontes:

G1 | Acidentes com patinetes disparam em SP e RJ – Junho 2025

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/04/17/patinetes-eletricos-aumentam-o-desrespeito-as-leis-de-transito-nas-maiores-cidades-do-brasil.ghtml