Com a queda das temperaturas, os prontos-socorros registram aumento nas internações por fraturas em idosos principalmente do quadril e punho. A SBTO alerta para os riscos e a necessidade de protocolos específicos para esse público.

O inverno chegou, e com ele, um fenômeno que se repete todos os anos: o aumento das quedas e fraturas em idosos. Estudos epidemiológicos demonstram que entre junho e agosto, o número de atendimentos ortopédicos por fraturas de quadril, punho e coluna cresce entre 18% e 25% nas regiões Sul e Sudeste do país, devido a fatores como rigidez articular, menor mobilidade, uso de meias em pisos escorregadios e hipotensão postural induzida pelo frio.

Diante disso, a Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO) reforça a importância da prevenção de quedas, triagem rápida e tratamento especializado para reduzir complicações em um grupo populacional especialmente vulnerável.

O impacto das quedas em uma população em envelhecimento

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do DATASUS, as quedas estão entre as principais causas de internação hospitalar de pessoas com mais de 65 anos. Em 2024, foram mais de 95 mil internações por fraturas osteoporóticas. Estima-se que 1 em cada 3 idosos brasileiros caia ao menos uma vez por ano e os efeitos vão além do físico: 1 em cada 5 pacientes com fratura de quadril perde autonomia definitiva após o trauma.

🦴 Fraturas mais frequentes no inverno

A fratura de quadril (fêmur proximal) é a mais comum e mais grave entre os idosos. Os principais tipos são:

  • Fratura transtrocanteriana
  • Fratura do colo do fêmur
  • Fraturas de rádio distal (punho)
  • Fraturas de úmero proximal
  • Fraturas vertebrais por compressão

O frio aumenta a rigidez muscular, piora a propriocepção e leva muitos idosos a se movimentarem menos, o que paradoxalmente eleva o risco de quedas devido à perda de reflexos e equilíbrio.

🏥 A resposta dos serviços credenciados da SBTO

Os serviços credenciados pela SBTO estão em alerta para a demanda sazonal por cirurgias de trauma geriátrico. Hospitais como o Hospital Felício Rocho (MG), Hospital Cristo Redentor (RS) e Hospital do Trabalhador (PR) reforçaram suas escalas cirúrgicas e programas de reabilitação intensiva entre os meses de junho e agosto.

A SBTO recomenda que as unidades de pronto-atendimento tenham:

  • Protocolos específicos para fraturas osteoporóticas
  • Equipe multidisciplinar com ortopedista, geriatra e fisioterapeuta
  • Cirurgia precoce (idealmente até 48h após a fratura)
  • Prevenção secundária com controle de osteoporose e revisão domiciliar do paciente

O papel da reabilitação e da prevenção de recorrências

A reabilitação rápida e orientada reduz o risco de mortalidade e sequelas. A SBTO também alerta para a importância de intervenções preventivas no ambiente doméstico:

  • Instalação de barras de apoio no banheiro
  • Evitar tapetes soltos e superfícies escorregadias
  • Iluminação adequada em corredores e escadas
  • Revisão de medicações que causam hipotensão ou sedação excessiva

O inverno é, infelizmente, a alta temporada das fraturas em idosos. Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, o número de pacientes que necessitam de intervenções ortopédicas complexas, reabilitação prolongada e suporte multidisciplinar tende a aumentar ano após ano.

A SBTO reitera seu compromisso com a formação continuada de profissionais da ortopedia e com a padronização de condutas voltadas ao cuidado do idoso com trauma. Mais do que tratar, é necessário prevenir  e o inverno é o momento ideal para reforçar essa mensagem.