Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), o crescimento dos atendimentos por fraturas expõe a sobrecarga dos serviços públicos e privados, especialmente nas grandes capitais.

O número de acidentes de moto no Brasil atingiu um novo pico em 2025, impactando diretamente os serviços de trauma ortopédico em todo o país. Apenas nos cinco primeiros meses do ano, o número de internações hospitalares por lesões traumáticas causadas por colisões envolvendo motocicletas aumentou 16% em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados parciais do DataSUS.

Esse cenário tem acendido o alerta de profissionais da ortopedia e reforçado o papel da SBTO na capacitação de equipes médicas, formação de residentes e estruturação de protocolos de atendimento a fraturas complexas, que hoje representam boa parte da demanda cirúrgica em trauma.


Um problema de saúde pública que se intensifica

A motocicleta, que já representa o principal meio de transporte em diversas cidades de médio e grande porte, tornou-se também o maior vetor de traumas ortopédicos graves no Brasil. Estima-se que, entre 65% e 70% dos pacientes internados por politraumatismo ortopédico sejam motociclistas ou passageiros de motos sendo que a maior parte das vítimas está na faixa etária de 18 a 35 anos.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2023 foram registradas mais de 80 mil internações por acidentes de motocicleta, um número que deve ser superado este ano. O custo hospitalar estimado para o sistema de saúde ultrapassou R$ 330 milhões, sem contar os impactos indiretos, como afastamentos do trabalho e reabilitação prolongada.

Fonte: Ministério da Saúde / DataSUS – Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) https://datasus.saude.gov.br/

 

🦴 Os tipos de fraturas mais frequentes

De acordo com os membros da SBTO, os tipos de trauma mais atendidos incluem:

  • Fraturas de fêmur (alta energia, necessidade cirúrgica imediata)
  • Fraturas expostas de tíbia e fíbula
  • Fraturas de pelve
  • Luxações de quadril e ombro
  • Fraturas de punho e antebraço (frequente em quedas laterais)

O protocolo recomendado pela SBTO orienta o atendimento rápido, diagnóstico por imagem completo e início precoce da estabilização cirúrgica, especialmente nos casos com risco de infecção, hemorragia ou comprometimento neuro vascular.

Superlotação e escassez de recursos

Os serviços credenciados pela SBTO têm registrado aumento médio de 20% na demanda por cirurgias ortopédicas de emergência relacionadas a acidentes de moto desde janeiro de 2025. Hospitais como o Hospital do Trabalhador (Curitiba), INTO (RJ) e Santa Casa de São Paulo relatam tempo médio de espera de 8 a 12 horas para entrada em centro cirúrgico nos horários de pico.

O Dr. Pedro José Labronici, Diretor Científico da SBTO, destaca:

“Esse aumento da carga assistencial exige não apenas reforço estrutural, mas capacitação contínua. Um trauma mal tratado pode resultar em sequelas irreversíveis. Nossa missão é garantir um padrão elevado de atendimento em todo o país.”

O crescimento acelerado dos acidentes de moto em 2025 expõe um grave problema de saúde pública e reforça a importância de investimentos contínuos em formação de profissionais especializados em trauma ortopédico, expansão de centros de referência e protocolos de conduta unificados.

A Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO) continuará atuando de forma ativa por meio dos seus serviços credenciados, congressos e programas de ensino, com o objetivo de garantir que nenhuma fratura grave seja tratada de forma improvisada  porque em trauma, o tempo e a técnica fazem toda a diferença.

Fontes Utilizadas

  • DataSUS – Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS):
    https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
  • Ministério da Saúde – Boletim de Acidentes de Transporte Terrestre:
    https://www.gov.br/saude